Veneza – Pouco antes do início da exposição de arte mais importante do mundo, a polêmica aumentou: todo o júri da Bienal de Veneza renunciou. Faltam poucos dias para a abertura do dia 9 de maio. O gatilho é uma decisão bastante polêmica dos jurados. Ao atribuir prémios, não quiseram considerar artistas de países cujos chefes de estado ou de governo são procurados pelo Tribunal Penal Internacional. Isto afectaria a Rússia – e Israel.
Juízes da Bienal renunciarão antes da abertura
As críticas se seguiram imediatamente. O governo israelense falou em “treinamento político”. Grande pressão também veio da Itália. O governo enviou inspetores a Veneza. A Primeira-Ministra Giorgia Meloni e o Ministro da Cultura Alessandro Giuli cancelaram a sua participação na abertura. Meloni explicou: “Perdi um pouco essa coisa”. Poucos dias depois houve uma desistência total: cinco membros do júri liderado pela presidente Solange Farkas renunciaram no seu conjunto. Eles não forneceram informações detalhadas.
Leões de Ouro apenas em novembro
Seus efeitos são ótimos. Este ano, os famosos “Leões de Ouro” não serão entregues no início, como de costume, mas no final da exposição, em novembro.
Em vez disso, a Bienal planeia uma solução de emergência. Dois “leões convidados” deverão ser escolhidos pelo público. As contribuições da Rússia e de Israel também devem ser consideradas. Resta saber se ainda haverá um júri tradicional.
Rússia retorna à Bienal
Enquanto isso, o próximo conflito é a fumaça. A Rússia participará novamente em 2022, pela primeira vez desde o início da guerra na Ucrânia. O estande será feito por artistas próximos ao governo. Isto causa indignação internacional. A UE também está a aumentar a pressão: estão em jogo quase dois milhões de euros em financiamento. Bruxelas critica fortemente o facto de a Rússia poder participar novamente na Bienal, apesar da sua guerra de agressão.
Mandados de prisão para Putin e Netanyahu
Mesmo antes da sua demissão, o painel de juízes tinha anunciado que, ao atribuir o prémio, não consideraria os países cujos chefes de estado e de governo tivessem emitido mandados de detenção do Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes contra a humanidade. Ele mencionou sua “missão de defender os direitos humanos”. O júri não nomeou nenhum país específico. Existem actualmente mandados de detenção do TPI contra o presidente russo, Vladimir Putin, por alegados crimes de guerra na Ucrânia e contra o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, por alegados crimes de guerra na Faixa de Gaza. Nenhum deles foi acusado de qualquer crime – as acusações formais exigem a sua prisão.
A Bienal enfatiza liberdade e independência
A direção da Bienal afirmou que o júri trabalhou “com total liberdade e independência”. A assessoria de imprensa descreveu a mudança como “uma manifestação natural da liberdade e independência que a Bienal é garantia”.
Nesta edição, 99 países apresentam pavilhões nacionais – 29 no Giardini, outros no Arsenale e espalhados pela cidade. A Bienal de Arte Contemporânea é considerada a exposição mais antiga e importante do gênero no mundo. Além da grande exposição central, 99 países expõem seus pavilhões – 29 no Giardini, outros no Arsenale e por toda a cidade.



