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Outro país pode “roubar” a chuva de um país?

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Poderá a chuva de um país ser “roubada” por outro – um medo surpreendente, mas que existe há anos, especialmente em áreas com escassez de água como o Médio Oriente. A seca, o aumento das temperaturas e a propagação da “sementeira de nuvens”, uma técnica para induzir artificialmente a precipitação, intensificaram o debate. No entanto, os cientistas dizem que isto é quase impossível na realidade, embora tenham sido feitas diversas afirmações em discussões políticas.

A jornalista americana Alyssa J. Rubin escreveu no New York Times que as autoridades iranianas estavam preocupadas há anos com o facto de outros países os estarem a privar de fontes vitais de água. No entanto, o medo não era sobre uma barragem a montante ou sobre os níveis das águas subterrâneas.

No meio de uma seca severa e do aumento das temperaturas em 2018, alguns altos funcionários iranianos concluíram que alguém estava a “roubar água das nuvens”. Naquela altura, Gholam Reza Jalali, um alto funcionário do IRGC, um ramo de elite das forças armadas iranianas, disse num discurso que Israel e outro país não estavam permitindo a chuva das nuvens do Irão.

Mais tarde foi revelado que o “outro país” eram os Emirados Árabes Unidos, que lançaram um ambicioso programa para fazer chover nuvens através da aplicação de produtos químicos. Porém, na realidade o objetivo desta tecnologia não é roubar água, mas sim aumentar as chuvas em áreas secas.

Competição de ‘ocupação de nuvens’ para combater a seca

Os países que secam rapidamente no Médio Oriente e no Norte de África iniciaram uma “corrida pela chuva” na região. Os países estão tentando extrair gotas de chuva das nuvens usando vários produtos químicos e tecnologias.

Doze dos 19 países da região recebem uma precipitação média anual inferior a 25 centímetros, uma diminuição de quase 20 por cento nos últimos 30 anos. Como resultado, os governos ficaram desesperados por um pouco mais de água doce.

Os países ricos, especialmente os Emirados Árabes Unidos, estão a investir milhares de milhões de dólares nesta tecnologia. Outros países não ficam muito atrás, mas existem sérias dúvidas sobre a eficácia da tecnologia.

Marrocos, Etiópia e Irão têm os seus próprios programas de propagação de nuvens. A Arábia Saudita iniciou recentemente esta iniciativa em grande escala e muitos outros países estão a considerá-la.

A China está a executar o maior programa do mundo, tentando aumentar as chuvas ou reduzir o granizo em cerca de metade do país. Eles estão especialmente tentando trazer chuva para a região do “Rio Yangze”, onde o rio está secando em alguns lugares.

Vida e realidade das nuvens

Embora a semeadura de nuvens seja usada há cerca de 75 anos, os cientistas dizem que sua eficácia ainda não foi comprovada. Em particular, ignoram a ideia de que um país pode “roubar” a chuva de outro país.

Segundo os cientistas, nuvens brancas, cúmulos e de baixa altitude, como cúmulos ou sementes de algodão, capazes de produzir chuvas, geralmente não duram mais do que algumas horas. Raramente dura muito e, mesmo em áreas densamente povoadas como o Golfo Pérsico, as nuvens de um país não têm tempo de chegar a outro.

Quanta água existe realmente na atmosfera?

A explicação científica desta questão foi dada por Maarten Amboum, Professor de Física e Dinâmica Atmosférica do Departamento de Meteorologia da Universidade de Reading, no Reino Unido.

Segundo ele, a atmosfera terrestre contém em média cerca de 25 quilos de água por metro quadrado, principalmente na forma de vapor d’água. Desse total, apenas 50 gramas de água estão na forma líquida ou gelada nas nuvens. Em áreas quentes essa quantidade pode chegar a 250 gramas. Isso significa que as nuvens visíveis no céu constituem, na verdade, apenas 0,2% da água total.

Em média, cerca de 2,5 kg de água por metro quadrado caem todos os dias em forma de chuva, que evapora na mesma proporção. Como resultado, a quantidade total de água na atmosfera permanece aproximadamente constante.

Ele também disse que se todas as nuvens caírem repentinamente em forma de chuva, novas nuvens podem se formar em apenas meia hora.

Então é possível roubar a chuva?

Como fica claro nesta análise, a chuva que cai de uma única nuvem tem pouco impacto no sistema hídrico total. Isso ocorre porque a atmosfera contém grandes quantidades de vapor d’água, que pode formar rapidamente novas nuvens.

Isso significa que “roubar” a chuva das nuvens de um país não é prático. Mas numa escala muito pequena – como de uma exploração agrícola para outra – pode ter um impacto. Mas a tecnologia atual não é tão boa.

Limitações e riscos tecnológicos

Muitos cientistas estão céticos quanto à eficácia da semeadura de nuvens.

O climatologista americano Alan Roebuck disse: “O problema é que depois de semear uma nuvem, você não sabe se ela produzirá chuva por si mesma ou não”. Outro cientista, Roy Rasmussen, disse que as nuvens cúmulos em regiões quentes são tão instáveis ​​que os efeitos da semeadura são difíceis de determinar.

Israel, por outro lado, encerrou o seu programa de propagação de nuvens em 2021, após 50 anos. O pesquisador Pinhas Alpert disse que não é viável economicamente.

História e aplicações práticas

A semeadura de nuvens começou nos Estados Unidos em 1947. Mais tarde, foi usada na Guerra do Vietnã para prolongar a estação chuvosa e interromper os sistemas de abastecimento inimigos.

Actualmente, os Emirados Árabes Unidos estão na vanguarda desta tecnologia. O país aplica produtos químicos nas nuvens usando iodeto de prata e nanotecnologia.

Abdullah Al Mandous, diretor do Centro Meteorológico Nacional do país, afirma que a tecnologia resultou em pelo menos 5% mais chuvas anualmente, embora sejam necessários mais dados de longo prazo.

incerteza e futuro

Às vezes, a semeadura de nuvens pode resultar em chuvas excessivas ou em locais inesperados. Houve chuvas tão fortes em Dubai em 2019 que áreas residenciais foram inundadas.

O meteorologista James Fleming diz que você pode mudar uma nuvem, mas não pode controlar o que ela fará a seguir.

Fonte: The New York Times, CNN, WordPress.com

SAH

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