O documentário da Netflix “Hulk Hogan: The Real American” mostra o lado negro do ícone do wrestling: na última entrevista ele falou sobre mentiras, drogas e escândalos.
“Hulk Hogan: Real American”, novo filme em quatro partes já disponível na Netflix, apresenta um retrato de sua vida – baseado, entre outras coisas, em sua última grande entrevista, que concedeu três meses antes de sua morte.
Bollea tornou-se uma marca internacional sob o nome de Hulk Hogan. Sua imagem de atleta disciplinado era uma parte central de sua personalidade pública.
Hulk Hogan: “Claro que menti, era tudo mentira”
Porém, no texto ele admite que esta imagem não correspondia à realidade. Ao longo dos anos ele usou drogas, álcool e esteróides anabolizantes.
Essa confusão fica especialmente clara em uma aparição de 1991. No talk show do Arsenio Hall, Hogan negou publicamente o uso de esteróides: “Os jornais escreveram mentiras. Sempre fui forte. Nunca tomei esteróides. Milhões de crianças acreditam em mim e me entristece saber que agora há uma nuvem negra pairando sobre tudo em que acredito.” Olhando para trás, ele explica no documentário: “É claro que menti para ele. Foi tudo mentira”.
Hogan sobre o divórcio de sua esposa Linda: “Eu dei a ele 70 por cento”
Além de examinar sua aparição pública, a série também esclarece conflitos pessoais. O divórcio de sua esposa de longa data, Linda, após 25 anos, teve sérias consequências financeiras. “Eu dei a ele 70% para ter paz de espírito. Mas isso me deixou arrasado”, diz Hogan.
Nesta fase também relata uso pesado de drogas. Na época, ele havia tomado uma grande quantidade do analgésico forte: “Fui à farmácia e o farmacêutico disse: ‘Você deveria estar morto. Nunca vimos ninguém tomar tanto fentanil'”, lembrou Hogan. Os relatos são complementados por declarações de seu ex-empresário Eric Bischoff, que explica que Hogan recebeu “algumas pílulas que poderiam matar um cavalo” e que ele “as engoliu com um litro de vodca por dia”.
O próprio Hogan descreve o período pós-divórcio como um ponto baixo: “Fui para casa e comecei a beber e, bem, tomei comprimidos e simplesmente caí naquele buraco por alguns dias”. De acordo com Bischoff, ele estava na “fase mais sombria e destrutiva de sua vida” na época.
Após apoio de Trump, Hulk Hogan recebeu ameaças de morte
Hogan recuperou-se financeiramente, entre outras coisas, através de um processo judicial contra o portal Gawker, que publicou o vídeo gravado secretamente. Em 2016, ele recebeu US$ 115 milhões. Ao mesmo tempo, os comentários racistas que vieram a público durante o julgamento prejudicaram completamente a sua reputação. A WWE terminou com ele por um tempo.
As posições políticas também geraram posteriormente críticas. O apoio de Hogan a Donald Trump na campanha presidencial de 2024 criou ainda mais tensão com setores de seu público. Ele foi vaiado pela última vez na WWE em janeiro de 2025. O próprio Hogan respondeu com calma e indicou que poderia retornar como um “vilão”.
Sua esposa, Sky Daily, relata no documentário que Hogan estava cético em relação ao apoio – e não apenas porque enfrentou ameaças de morte relacionadas ao seu envolvimento político. “Como artista, quando você defende Trump, você divide o seu público, e isso o preocupa”, explica sua viúva no documentário.


