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“É incrível que os pratos imaginados na cozinha sejam preparados a 400 quilómetros da Terra…”: como esta empresa sediada em Lot cria pratos para astronautas em missões.

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Uma equipe de Andros enfrentou um desafio sem precedentes. Eles desenvolveram uma receita que será testada nesta sexta-feira, 12 de junho, a 400 quilômetros da Terra, pela astronauta francesa Sophie Adenot na ISS, a Estação Espacial Internacional. A empresa Lot precisa de dezoito meses de testes para completar com felicidade as extraordinárias restrições sanitárias.

“Cozinhar para um lugar, nunca imaginei isso um dia.” Na cozinha do departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Andros, o chef David Real trabalha nos ingredientes dispostos sobre a mesa. Berinjela assada, feijão misturado com nozes e mix de ervas frescas. Nada de incomum na aparência. Porém, por trás dessa receita chamada “Dupla Mediterrânea”, estão meses de pesquisas envolvendo chefs, engenheiros e nutricionistas.

A história nasceu da troca antes da missão. Amigo Florian Delmas, presidente da Andros, a astronauta Sophie Adenot discutiu com ele a experiência culinária planejada na ISS, a Estação Espacial Internacional. “Quando o CNES (Centro Nacional de Estudos Espaciais – Nota do Editor) apresentou o projeto, soubemos imediatamente que era uma aventura incrível”, disse Pascal Schneider, diretor de inovação da Andros. “Trabalhamos durante dezoito meses para atender às restrições da agência espacial e permitir que os astronautas começassem a cozinhar no espaço. Queríamos fornecer alimentos à base de plantas e manter a felicidade, enquanto os alimentos espaciais são frequentemente desidratados ou ionizados.”

Em Andros, Laurine Roddier, o engenheiro e chef David Real estão na linha de frente para criar a receita que será preparada pela astronauta Sophie Adenot na sexta-feira, 12 de junho, na ISS.
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Um chef, um engenheiro e meses de testes

Nesta aventura, estão duas pessoas na primeira fila: o chef David Real e a engenheira Laurine Roddier. Criando uma visão culinária, ele traduz cada intuição gastronómica numa equação científica. “O mais surpreendente é o encontro entre as profissões de cozinheiro e engenheiro”, sorri o chef. “Quando Laurine explicou que era necessário retirar alguns gramas de água ou alterar a acidez para garantir a conservação, mudei minha receita de uma forma diferente para manter o mesmo sabor respeitando os limites técnicos”.

“Quando o CNES nos apresentou o projeto, compreendemos imediatamente que se tratava de uma aventura única”, entusiasma-se Pascal Schneider, diretor de inovação da Andros.
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A dupla intensificou seus esforços. A textura desenvolve-se mas a receita deve responder às limitações fisiológicas sem peso. “A bordo devemos respeitar critérios nutricionais muito precisos. O nível de sal é monitorado porque pode ter efeito no organismo e na descalcificação”, explica Laurine Roddier. Até os materiais foram redesenhados. O tradicional creme de gergelim é substituído pela pasta de amendoim produzida pela Andros. “Temos que encontrar o equilíbrio certo para manter o sabor delicioso e a identidade do produto”, afirma o chef.

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A segurança sanitária é levada ao extremo

O verdadeiro desafio está no setor da saúde. “O medo da agência espacial era que os astronautas adoecessem no espaço”, lembra Pascal Schneider. A equipe trabalha em condições excepcionais: ar filtrado, controle microbiológico permanente, análise de superfícies, recipientes, materiais e produtos acabados. Cada garrafa contendo ingredientes é numerada, cada lote é rastreado, cada etapa é validada. “Temos que provar que nossos controles de saúde são totais e atendem aos critérios da NASA. Não se trata apenas de fabricar um produto seguro, mas de demonstrá-lo cientificamente”, disse Laurine.

Laurine Roddier, engenheira da Andros, prepara uma garrafa de água semelhante à que a astronauta Sophie Adenot usará na Estação Espacial Internacional.
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O produto é então submetido a um teste de envelhecimento a 28°C, temperatura que pode ser encontrada na ISS. Durante meses, a equipe de Andros esperou pelos resultados. “Às vezes, depois de fazer, não fico satisfeito com a receita”, diz David. “Então, depois de algumas semanas de conservação, ficou perfeito. Tivemos que aprender a trabalhar com os resultados atrasados”.

Mil gourdes para enviar seis ao espaço

Quase mil garrafas de água foram produzidas, mas apenas seis chegaram a bordo da ISS. Nesta sexta-feira, 12 de junho, Sophie Adenot vai parafusar as três primeiras cabaças no FoodProcessor, robô projetado pelo CNES e operado por meio de uma simples chave de fenda usada na estação. Após três minutos, a mistura suave e deliciosa estará pronta para ser saboreada pelos astronautas.

Para o CNES, a ideia é tentar utilizar materiais, como nozes, que possam ser produzidos a bordo para voos longos e missões longas.
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Em Andros, a equipe acompanhará a experiência com emoção. “O que é incrível é pensar que os pratos que imaginamos aqui, na nossa cozinha, serão preparados a 400 quilómetros da Terra”, sorri David. Para Andros, a aventura vai além da receita e também abre uma janela para a comida do futuro.

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