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A praga já assolava há mais de 5.000 anos

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Um esqueleto repousa, de perfil, joelhos e braços cruzados, num estranho caixão: a parede de bactérias Yersinia pestis o agente responsável pela praga. Basta um olhar para entender: o esqueleto, pela sua posição, seria o de uma criança levada pela peste há milhares de anos. A crítica britânica Natureza escolheu esta impressionante imagem para destacar um artigo científico publicado em sua edição datada de 18 de junho de 2026.

Se as epidemias mortais de peste estão associadas à Idade Média, o bacilo da doença circulou entre os humanos muito antes. Num novo trabalho, o geneticista Eske Willerslev, da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, e os seus colegas descobriram as primeiras vítimas conhecidas da peste até à data.

Marmotas infectadas

Ao analisar o DNA preservado nos dentes de esqueletos que repousam em quatro cemitérios de caçadores-coletores na região do Lago Baikal, no leste da Sibéria, eles reconstruíram genomas bacterianos antigos. “A tensão de Y. pestis difere daqueles já conhecidos, antigos e modernos. A equipe acredita que apareceu há pelo menos 5.700 anos”, percebido Natureza em um texto introdutório.

Este trabalho fornece respostas a diversas questões colocadas por especialistas em peste. Ele rejeita, por exemplo, a hipótese de que as primeiras cepas do bacilo da peste não tenham sido tão letais como na Idade Média. O estudo dos cemitérios siberianos demonstra, pelo contrário, que as epidemias da época afectaram um grande número de pessoas, especialmente através da transmissão intrafamiliar, segundo análises genéticas que demonstram que as vítimas eram familiares.

Outra hipótese questionada pela equipe liderada por Eske Willerslev: “a ideia de que a alta densidade populacional e a mudança para a agricultura eram pré-condições para epidemias de peste.” Este trabalho realmente prova isso “Epidemias de peste mortal ocorreram entre populações de caçadores-coletores centenas de anos antes de seu aparecimento entre as populações neolíticas.”

Por outro lado, confirmam que a doença provavelmente teve origem na Ásia e se espalhou pela Europa.

Por fim, relativamente ao animal que está na origem da contaminação, os autores designam as marmotas com base na sua proximidade com caçadores-coletores, comprovada por evidências arqueológicas (presença de dentes, por exemplo, em acampamentos). Eles fizeram desses grandes roedores suas principais presas.

Fonte

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