Os talibãs afegãos mantiveram as suas primeiras conversações a portas fechadas com a União Europeia sobre deportações

ARQUIVO – Migrantes, principalmente do Afeganistão, descansam em uma antiga escola usada como abrigo temporário na ilha de Kythira, no sul da Grécia, 7 de outubro de 2022.

Thanassis Stavrakis/AP


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Thanassis Stavrakis/AP

BRUXELAS – Uma delegação do Taleban afegão se reuniu na terça-feira com funcionários da União Europeia em Bruxelas para negociações a portas fechadas focadas nos serviços diplomáticos e no “retorno digno” dos afegãos ao país isolado e devastado pela guerra, disse uma autoridade do Taleban.

Os afegãos constituem um dos maiores grupos de migrantes que procuram asilo na União Europeia, mas um número crescente de países do bloco de 27 nações procura acelerar e aumentar as deportações daqueles cujos pedidos de asilo foram rejeitados ou que cometeram crimes nos países de acolhimento.

“Esta é uma visita histórica porque é a primeira vez que uma delegação do Emirado Islâmico visita a UE e mantém conversações com os países membros em Bruxelas”, disse Abdul Qahar Balkhi, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros talibã que liderou a delegação de cinco figuras.

Balkhi também disse que falaram sobre “ampla retomada dos serviços consulares para os afegãos na zona da UE, incluindo a necessidade de medidas de fortalecimento da confiança, presença consular e um processo de repatriação digno”.

A reunião realizou-se num local não revelado na capital belga, que é também a sede da própria UE e da aliança militar da NATO.

Grupos de direitos humanos dizem que a reunião pode prejudicar os afegãos dentro e fora da Europa

As autoridades afegãs impuseram restrições draconianas aos direitos, especialmente para mulheres e meninas, desde que os talibãs tomaram o poder no país em 2021, após a retirada caótica das tropas lideradas pelos EUA.

Grupos de direitos humanos disseram que a reunião de terça-feira minou as obrigações da UE em matéria de direitos humanos e poderia prejudicar comunidades na Europa e no Afeganistão.

“Qualquer envolvimento com os talibãs precisa de dar prioridade à protecção dos direitos humanos e à responsabilização – e não à deportação de pessoas para o perigo”, disse Fereshta Abbasi, investigadora da Human Rights Watch. “Os países da UE minam a sua credibilidade ao condenarem os abusos dos Taliban e ao buscarem a responsabilização, por um lado, enquanto, por outro lado, colaboram com os Taliban para repatriar à força os afegãos.”

Dado que nenhum país da União Europeia reconhece os talibãs, a reunião em Bruxelas representou uma pequena fissura no isolamento diplomático do grupo desde que tomou o poder há cinco anos. A maioria dos países do mundo – incluindo toda a UE – cortou relações diplomáticas nessa altura. Desde então, os talibãs expandiram discretamente o seu acesso às missões diplomáticas na Europa.

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