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FOTOGRAFIA. “Este é o lugar perfeito para recarregar as baterias”: ele dorme na neve com vista para a Via Láctea do alto dos Pirenéus Ariège

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isso é importante
Entre caminhadas, acampamento de inverno e astronomia, Jean-Pierre Maurens cultiva uma profunda ligação, humildade e paz com as alturas. Nos Pirenéus, até durma na neve.

Existe uma paixão inexplicável. Eles se aplicam ao longo do tempo, com temporadas, bem como com provações. Para Jean-Pierre Maurens, a montanha é uma delas. Não é como um cenário de cartão postal, nem como um campo de atuação. Mais como um refúgio, uma forma de se afastar da agitação do mundo.

Ex-corredor de trilhas em grandes altitudes, ele mudou a forma como progrediu ao longo dos anos. “Com a idade e as lesões, procuramos algo mais tranquilo e menos traumático para as articulações”, disse. Mas, no final, o essencial não muda. A necessidade de chegar lá permanece intacta.

De volta ao básico

Porque, para ele, o ambiente serrano não é apenas um passeio. “Não é apenas uma paixão pelas montanhas, mas por tudo.” Neste “tudo”, há um esforço físico, claro, mas também um prazer em observar esta fauna, flora, relevo, luz e céu que não se vê em nenhum outro lugar com tanta força. Lá no alto, longe da poluição luminosa, encontrou o que a maioria das pessoas busca sem sempre encontrar: calma, paz, paz.

“Este é o local ideal para recarregar baterias, longe do barulho, do caos da vida, dos conflitos. Voltamos ao básico em paz e sossego. Inspira”, afirmou. Através das suas palavras, aprendemos rapidamente que Jean-Pierre Maurens não subiu apenas para ver a bela paisagem. Ele subiu para respirar diferente, clareou a cabeça e colocou suas coisas em seus lugares.

Momentos de “observação, serenidade, zenitude”

Muitas vezes deixado sozinho. Não para nos isolarmos do mundo, mas sim para aproveitar este raro momento. “Muitas vezes estou sozinho, mas às vezes trago pessoas que podem compartilhar esse momento de observação, serenidade, zenitude. E às vezes você tem um ótimo encontro com pessoas que são igualmente apaixonadas.” Para Jean-Pierre Maurens, a montanha não é sinónimo de isolamento: abre também a porta à partilha, ao encontro e às relações sinceras.

Verão e inverno, ele continuou. “Não há estação para caminhadas. Apenas o bom tempo e as condições devem ser considerados.” Cada estação tem seu próprio caráter, restrições, beleza. E, em casa, o inverno às vezes ganha uma dimensão mais singular. Porque Jean-Pierre não anda apenas na neve. Ele também ficava lá algumas vezes.
Dormir na neve, sem barraca, apenas cavando um abrigo, pode ser incrível. Ele fala sobre isso facilmente.

“Eu não fiz nada”

“Eu não inventei nada. É uma técnica usada por alpinistas e militares. Este exercício pode ajudá-lo a saber como reagir quando for pego por um acontecimento inesperado em uma montanha alta.” Aqui, novamente, nada é feito levianamente. Um passeio futuro, que nos lembra, “não é um passeio trivial”. É preciso conhecer o meio ambiente, ler a previsão do tempo, levar em consideração a cobertura de neve, o terreno, o risco e ir com o equipamento adequado.

Com um saco de 16 kg, 10 quilômetros e às vezes 1.500 metros de desnível, ele sabe que esse tipo de passeio exige preparo, preparo físico e experiência. Grampos, raquetes de neve, pá, ARVA, sonda, agasalhos, roupa de cama adequada, comida suficiente: nas montanhas nada se improvisa. Ele também se lembra de voltar de uma caminhada de três dias sob ventos fortes e nevascas, frio intenso e visibilidade quase nula. Uma memória forte, que nos lembra que a montanha ainda é muito boa, mas o ambiente é exigente.

E se tivermos que lembrar de um conselho, deveria ser este: “Na montanha você tem que ser humilde, não tenha vergonha de desistir quando não gostar”. Toda a filosofia está nesta frase. Nenhuma demonstração ou busca de exploração. Apenas respeite. Respeite a altura, o perigo e as pessoas que precisam intervir caso haja algum problema.
Então chegou a noite. E com ela, outra paixão.

Durma de frente para a Via Láctea

Fã de astronomia, Jean-Pierre Maurens gosta de observar as belas chuvas de estrelas, cometas, eclipses ou a Via Láctea. “Uma simples noite estrelada com uma bela Via Láctea pode ser linda”, disse ele. Com um telefone, às vezes com uma câmera, ele cria o momento. Estrelas, estrelas cadentes, o céu profundo: muitas imagens se tornaram, ao longo do tempo, boas lembranças.

Suas fotografias contam então quais palavras às vezes são difíceis de dizer: a pequenez do homem diante da vastidão, a beleza da noite clara, o poder do silêncio acima. E, no fundo, talvez seja isto o que mais tocou Jean-Pierre Maurens: uma forma simples, sincera e completa de vivenciar o cume, não de dominá-los, mas de se sentir vivo ali.

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