Os ecossistemas florestais estão a recuperar da desflorestação mais rapidamente do que se pensava anteriormente. Este é o“grande surpresa” que os pesquisadores tiveram ao analisar duas reservas naturais no Equador, nas palavras de um deles, Timo Metz, pesquisador de pós-doutorado na Universidade da Califórnia, citado por O jornal New York Times.
“Este projeto de investigação foi particularmente ambicioso e envolveu dezenas de cientistas com especialidades muito diferentes”, especifica o jornal americano em um artigo repleto de fotos tiradas em campo, ao longo dos anos, por pesquisadores. Eles estudaram dezesseis grupos taxonômicos (incluindo morcegos, insetos, sapos, mas também árvores e plantas diversas) pertencentes a três reinos (bactérias, plantas, animais), em quarenta e cinco áreas que foram desmatadas para dar lugar a pastagens ou plantações de cacau.
Essas áreas, em vários estados que retornaram à natureza selvagem quando o projeto começou em 2021, foram comparadas a outras onde a floresta permaneceu intacta por mais de uma dezena de anos. “A contribuição das populações que vivem perto das florestas também foi fundamental para o sucesso do projeto” souligne Ana Falconí López, cientista especializado em conservação da natureza junto às autoridades equatorianas, que participou.
“Uma mensagem de esperança”
A publicação científica resultante, publicada em 8 de abril Natureza, mostra que em apenas trinta anos a maioria dos animais regressou a áreas anteriormente desmatadas, com números e diversidade quase equivalentes aos dos ecossistemas primitivos. “É uma mensagem de esperança, resumido em New York Times Lourens Poorter, especialista em ecologia de florestas tropicais da Universidade de Wageningen, na Holanda, que não esteve envolvido no estudo. É gratificante ver que a natureza consegue se recuperar sozinha.”
“Essas descobertas são, sem dúvida, boas notícias para muitas regiões tropicais, mas áreas mais degradadas podem não conseguir se recuperar também”, Insatisfeita Catarina Jakovac, especialista em ecologia de florestas tropicais da Universidade Federal de Santa Catarina (Brasil), também não participou do projeto. Este projeto ocorreu numa área relativamente bem protegida, composta por um mosaico de florestas antigas intactas e florestas jovens em crescimento, um tipo de paisagem comum na América Central e do Sul, mas não necessariamente em outras regiões do mundo.
E mesmo nessas áreas equatorianas nem tudo é inteiramente cor-de-rosa. O estudo mostra que cerca de 30% das bactérias presentes no solo desapareceram completamente após o desmatamento das florestas e que alguns animais, que ocupavam nichos ecológicos muito especializados em ecossistemas florestais antigos, ainda não haviam retornado.



