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Três perguntas sobre a aplicação “temporária” do tratado com os países do Mercosul nesta sexta-feira

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Apesar da oposição francesa, o acordo de livre comércio entra em vigor na sexta-feira. No entanto, o processo de ratificação final foi bloqueado e a legalidade deste acordo entre a União Europeia e os países sul-americanos do MERCOSUL está a ser testada.

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Um rebanho de vacas argentinas em Buenos Aires, maio de 2021. (RONALDO SCHEMIDT/AFP)

É a abertura de um mercado com 700 milhões de consumidores. Acordo de Livre Comércio O acordo entre a União Europeia e os países sul-americanos do Mercosul entrou em vigor à meia-noite de sexta-feira, 1 de maio. Com efeito, a Comissão Europeia decidiu aplicar provisoriamente este texto sem esperar pelo parecer do Tribunal de Justiça da União Europeia, a que se refere o Parlamento Europeu.

Se o sector automóvel europeu beneficiar, tal como os sectores das máquinas-ferramentas e dos produtos farmacêuticos, a maioria dos agricultores continuará a opor-se a um acordo de comércio livre.

1 Por que o acordo é aplicado “temporariamente”?

Agricultores foi demonstrada várias vezes em França, bem como em Bruxelas perante a Comissão e em Estrasburgo perante o Parlamento Europeu. Sob pressão dos agricultores de toda a Europa, os membros do Parlamento Europeu levaram mesmo o caso ao Tribunal de Justiça da União Europeia em Janeiro passado, o que está a bloquear o processo de ratificação final. É por isso que estamos falando hoje “uso temporário”. A Comissão Europeia tem poder de decisão porque a maioria dos países é a favor, apesar da oposição de cinco membros da União, incluindo a França. Emmanuel Macron acredita que o tratado está desatualizado e fraco em relação aos produtos agrícolas sul-americanos que vão para a Europa.

Emmanuel Macron falou sobre “mau negócio” criação de concorrência desleal. O acordo prevê a importação, com direitos aduaneiros reduzidos, de centenas de milhares de toneladas de alimentos produzidos sob padrões sanitários e ambientais menos rigorosos do que na Europa, como 99 mil toneladas de carne bovina. Criadores brasileiros e argentinos ainda utilizam hormônios de crescimento proibidos na União Europeia há quase 50 anos. O mesmo se observou com as aves e com o uso de antibióticos proibidos nos nossos países. Para a produção agrícola – milho, soja ou açúcar – a lista de agrotóxicos permitidos nos países do Mercosul é muito mais longa do que aqui. Essas culturas são uma das principais causas do desmatamento na Amazônia.

2 Existem precauções?

Perante tais críticas, Bruxelas tomou medidas. Sob pressão da França, a Comissão Europeia reforçou as disposições de salvaguarda. Este mecanismo impediria as importações do Mercosul se, por exemplo, o mercado europeu de carne fosse desestabilizado.

Bruxelas promete também reforçar o controlo sobre a conformidade dos produtos com as normas europeias, uma vez que é proibida a importação de carne cultivada com utilização de hormonas. Mas os especialistas dizem que estes produtos são difíceis de detectar.

3 Que sectores agrícolas poderiam beneficiar do acordo?

Dois sectores poderão beneficiar do acordo de comércio livre. O setor do vinho e das bebidas espirituosas procura novos mercados para compensar a queda do consumo na Europa e o encerramento dos EUA e da China. Os vinicultores franceses poderão exportar garrafas para o Mercosul sem taxas alfandegárias. Antes disso, os impostos eram de 30%. O acordo protege 170 nomes franceses: champanhe, Bordeaux, Borgonha, bem como conhaque e armagnac.

Outro setor que se beneficiará com isso é o dos queijos: o acordo protege 46 DOPs franceses, como Comté, Roquefort e Normandy Camembert. Os direitos aduaneiros serão gradualmente reduzidos a zero para uma quota de 30.000 toneladas de queijo europeu por ano.


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