O MV Hondius, lar do hantavírus, saiu de Cabo Verde na quarta-feira, 6 de maio, e deverá chegar a Tenerife, no arquipélago espanhol das Canárias, no sábado, 9 de maio, onde a evacuação dos passageiros deverá começar na próxima segunda-feira.
Atualmente, 88 passageiros e 59 tripulantes dirigem-se para Tenerife. navio de cruzeiro MV Hondius deverá desembarcar em breve, após várias semanas de ansiedade no mar.
Entre os cinco franceses a bordo está Françoise (nome emprestadoaprox. ed.) vive com medo constante de ser exposto a uma epidemia de hantavírus. “As pessoas não estão em pânico, mas sentimos que isso começa a pesar sobre nós, até porque não sabemos para onde vamos”, preocupa a francesa ao microfone da BFMTV.
Festa de Ushuaia (Argentina) 1º de abril, MV Hondius deveria chegar ao arquipélago de Cabo Verde, na costa da África Ocidental. Mas desde 11 de Abril, três passageiros – um casal holandês e uma mulher alemã – morreram de infecção por hantavírus. Imobilizado devido a riscos sanitários, o navio está fundeado perto do porto da Praia, capital de Cabo Verde, aguardando novas instruções.
Medidas consideradas insuficientes
Segundo Françoise, o capitão do MV Hondius, Jan Dobrogovsld, já recolheu os passageiros do navio diversas vezes desde que foi anunciado o primeiro caso confirmado de hantavírus.
Num vídeo publicado online por Ruhi Cenet, documentarista turco que também viajou no navio de cruzeiro mas já não está a bordo, o capitão pode ser visto a dirigir-se aos passageiros na área de recepção.
“Segundo o médico, não há risco de infecção. Portanto, o navio não corre perigo nesse sentido”, garantiu o capitão no dia 12 de abril, um dia após a morte do primeiro passageiro. O autor do vídeo desembarcou na ilha de Sainte-Hélène no dia 24 de abril.
Desde então, algumas medidas foram tomadas a bordo, como o uso obrigatório de máscaras, mas nenhuma restrição foi imposta aos passageiros. “Comemos todos juntos no restaurante. Há distanciamento social, mas só se passaram três dias (…). Comemos de forma escalonada”, diz Françoise, para quem as instruções não são suficientes.
No entanto, “aqueles que adoeceram estiveram em contacto com os mortos”, preocupa a francesa.
Apesar do medo da epidemia, as pessoas “fazem o que querem (…). Fizeram um grande churrasco no navio como se nada tivesse acontecido”, insiste ainda Françoise.
Segundo a OMS, o risco é “baixo” para toda a população.
Por seu lado, o diretor regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a Europa, Hans Kluge, concluiu na segunda-feira passada que o “risco para toda a população” continua “baixo”.
“Não há razão para pânico ou impor restrições de viagens”, disse ele.
Ele também confirmou que as infecções por hantavírus são raras, geralmente associadas ao contato com roedores infectados, e “não são facilmente transmitidas entre pessoas”. Até agora, três pessoas morreram desde o início do cruzeiro; segundo a OMS, uma pessoa foi hospitalizada em Joanesburgo, outra em Zurique (Suíça), e três pacientes suspeitos foram evacuados do navio para a Europa.



