Tensões comerciais abalam o espírito caipirinha do Brasil

A bartender Rafaella Demelo coloca açúcar, 1,5 onças de Leblon e meio limão com gelo em uma coqueteleira enquanto prepara uma caipirinha, típico coquetel brasileiro.

Alan Diaz/AP


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RIO DE JANEIRO, Brasil – As tarifas implementadas pela administração Trump podem ter alcançado o que décadas de diplomacia não conseguiram: convencer a Europa e a América do Sul de que precisam uma da outra.

Para os fabricantes de cachaça no Brasil, esta mudança na diplomacia tornou-se uma oportunidade de negócios.

“Acho que o crescimento será enorme”, disse o destilador Assja Schymura, de Pindorama. “Se conseguirmos superar esses obstáculos iniciais.”

A cachaça, bebida alcoólica brasileira à base de cana-de-açúcar e principal ingrediente do famoso coquetel do país, a caipirinha, tem ganhou prêmios na concorrência europeia, mas há muito que luta para penetrar no mercado. Os impostos de importação e a falta de compreensão fazem deste produto um produto de exportação de nicho. Os fabricantes agora veem uma oportunidade de mudar isso.

Em Maio, a União Europeia e o Mercosul – um bloco comercial sul-americano conhecido como “Mercado Comum do Sul” que inclui Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai – finalmente chegaram a um acordo comercial há muito adiado, cortando tarifas sobre centenas de produtos, desde peças de avião até cachaça. A Bolívia, que se tornou membro do Mercosul depois de a maior parte do acordo ter sido negociada, deverá aderir nos próximos anos.

Os países resistiram a décadas de atrasos na assinatura do acordo, depois de ambos os lados terem sido atingidos pelas tarifas dos EUA no ano passado. As relações imprevisíveis com os Estados Unidos “tendem a levar à busca de parceiros adicionais para compensar”, disse o ex-funcionário comercial e diplomata brasileiro Roberto Jaguaribe.

O acordo UE-Mercosul envolve mais do que apenas comércio. O acordo também compromete os seus membros a defenderem as instituições democráticas e a permanecerem no acordo climático de Paris – compromissos que as autoridades europeias e sul-americanas dizem que se tornaram mais importantes à medida que Washington se afasta das iniciativas climáticas e democráticas globais sob a administração Trump.

Esta mudança nas relações deu um novo impulso a outras negociações. Numa conferência no Brasil este mês sobre o fortalecimento dos laços entre a Europa e a América Latina, a diplomata finlandesa Anna-Kaisa Heikkinen argumentou que os países comprometidos com uma ordem internacional baseada em regras “precisam agir juntos”.

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