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RELATÓRIO. “O que une as pessoas é o talento”: no Jura, mobilização inédita nas aldeias para exigir a regularização da cantora nigeriana

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Ayomidé e a sua família, que são da Nigéria, tiveram o seu pedido de asilo rejeitado. Seus professores e seu grupo decidiram apoiá-lo, permitindo-lhe contar sua história em forma de canções.

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Captura de tela do clipe de “punho cerrado” do jovem Ayomidé, ameaçado pela OQTF desde maio, vídeo publicado em 17 de junho de 2026 na plataforma YouTube. (CAPTURA ECRAN YOUTUBE)

Uma onda especial de solidariedade. Em Dole, no Jura, foi organizada uma mobilização sem precedentes em apoio ao jovem Ayomidé e à sua família, que vieram da Nigéria e corriam o risco de ter de deixar França. O seu pedido de asilo foi rejeitado enquanto o Parlamento Europeu tomava uma decisão sobre o regresso de migrantes rejeitados direitos de asilo por acordo na quarta-feira, 17 de junhoReforma da União Europeia incluindo a possibilidade de os Estados-Membros celebrarem acordos para a criação de centros de detenção fora das fronteiras da União Europeia.

Tendo chegado a França com a mãe, o irmão e a irmã, dois anos antes, vindos da Nigéria, onde tinham sido ameaçados, o seu pedido de asilo foi rejeitado em Maio, com o risco de “encontra-se numa situação desorganizada, sem onde ficar no final de junho”de acordo com o CPE do estabelecimento Dole. Diante da situação da jovem, seus professores e grupo decidiram apoiá-la, permitindo que ela contasse sua história em uma música, bem como em um videoclipe.

Ayomidé tem um sorriso comovente que destrói montanhas. Se os seus amigos e professores se mobilizaram de forma a garantir que ele e a sua família não fossem expulsos no final da OQTF, para quem era obrigatório abandonar a região, isso foi uma forma de generosidade da sua parte. Aos 19 anos, tinha o direito de permanecer em França depois de todos os esforços que fez para se integrar num curto espaço de tempo, explica um dos seus professores, Quentin Besançon. “Ele tem um sorriso, tem um desejo de integração e isso é extraordinário. Na nossa experiência em unidades de alunos-professores alofones, nunca vimos um aluno chegar aos outros tão rapidamente numa língua que não conhecia e que agora domina muito bem em apenas um ano e meio. Mas o que também une as pessoas é o seu talento para cantar, o que significa que a sua mobilização leva muito tempo”explicou a professora.

A solidariedade foi organizada em torno de uma canção nascida de Ayomidé, intitulada “mains clenches” e escrita por Damien Mollet, CPE, principal conselheiro educacional de sua escola secundária. A gravação foi realizada vários dias antes, seguida da filmagem de um clipe que foi compartilhado na plataforma YouTube. O objectivo desta abordagem aparentemente despreocupada é evitar que Ayomidé regresse à sua Nigéria natal, que, explica ele, é o país mais inseguro.

Se este último realçar a injustiça, a ameaça dos bandidos e terroristas do Boko Haram que correm desenfreadamente na Nigéria, especialmente o rapto de crianças nas escolas, poderia ser um acréscimo. São tantos os motivos que justificam a mobilização em torno do caso do jovem Ayomidé.


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