“A França não permanecerá passiva. Está lá para apoiar os seus aliados regionais e preservar a liberdade de navegação.”
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Com esta frase, proferida pelo porta-aviões Charles de Gaulle em Março de 2026, Emmanuel Macron lançou as bases de uma estratégia hoje considerada essencial para muitas crises, desde a guerra no Médio Oriente e as tensões no Estreito de Ormuz até à guerra liderada pela Rússia na Ucrânia.
Neste contexto, a importância da visita do Presidente francês a Atenas, nos dias 24 e 25 de Abril, ultrapassa o quadro bilateral.
O programa reflete a escala das questões. Na tarde de sexta-feira, Emmanuel Macron participará com Kyriakos Mitsotakis num debate público sobre a soberania europeia no local simbólico da Ágora Romana.
Depois disso, ele se reunirá com o Presidente da República Helênica, Konstantinos Tassoulas. No sábado visitará a fragata Kimon, visitará a Mansão Maximos para assinar acordos e declarações conjuntas.
A visita terminará com a participação do Presidente francês no Fórum Económico Greco-Francês no Centro Cultural da Fundação Stavros Niarchos.
um quadro de cooperação estabelecido
A visita será dedicada à renovação do Acordo de Parceria Estratégica para a Defesa e Segurança, que foi assinado pelo primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, e pelo presidente francês, Emmanuel Macron, em 2021.
Este acordo introduz uma cláusula de assistência de defesa mútua entre dois estados membros da UE. Prevê que, no caso de um ataque por parte de um terceiro Estado, ambos os países se ajudarão mutuamente por todos os meios apropriados, incluindo o uso da força armada.
Como Kyriakos Mitsotakis explicou na altura, é um compromisso “Proteja o país” e fortalece o pilar europeu da defesa. Por sua vez, Emmanuel Macron descreveu-os como “Os primeiros passos ousados para a autonomia estratégica europeia”.
A próxima renovação, com duração de cinco anos com possibilidade de renovação automática, marca a transição de um compromisso político mais forte para um quadro de cooperação mais permanente e institucionalizado.
Segundo o historiador e analista político Anastasios Karabambas, “A renovação do acordo Greco-Francês é principalmente uma ferramenta poderosa de dissuasão bilateral”.
Segundo ele, a visita de Emmanuel Macron também envia um sinal político claro ao confirmar a convergência estratégica entre Atenas e Paris num contexto de forte instabilidade geopolítica.
Ele acredita que esta cooperação “Serve de modelo para a autonomia estratégica europeia na prática”No entanto, sem substituir a arquitectura de segurança europeia global.
Ambos os países pretendem assim colocar-se no centro do debate europeu sobre defesa, segurança e o papel da Europa num ambiente internacional cada vez mais volátil.
Do Belharra ao Rafale: cooperação na prática
A relação estratégica entre a França e a Grécia já assumiu uma dimensão concreta a nível operacional e industrial.
Atenas adquiriu 24 caças Rafale, enquanto o programa de fragatas FDI Belharra está em andamento, com três navios planejados e a possibilidade de um quarto.
A primeira fragata Belharra atribuída à Marinha Grega, denominada Kimon, também fez escala no porto de Limassol, em Chipre, como parte do fortalecimento das capacidades de defesa antiaérea na área.
Esta cooperação também se estende à indústria. O Naval Group está a trabalhar com empresas gregas como parte do programa de fragatas, enquanto grandes grupos franceses como MBDA, Thales e Safran estão a desenvolver sinergias com parceiros gregos. A presença da Airbus cria ligações entre a defesa e a defesa civil, nomeadamente através de contratos relativos a helicópteros de combate a incêndios.
Como embaixador francês em Atenas, Laurence Auer sublinhou recentemente esta cooperação “Agora vai além do quadro estrito das armas” Expansão da indústria, inovação e transferência de know-how com o objectivo de reforçar a soberania europeia.
Além da defesa: economia, energia e inovação
A cooperação franco-grega está a evoluir para uma relação multidimensional, com ênfase crescente na energia, nas infra-estruturas e na tecnologia. A complementaridade das duas economias cria condições favoráveis ao reforço da competitividade europeia, enquanto a cooperação também se estende a áreas como a inovação e a inteligência artificial.
Segundo Anastasios Karabambas, para além da defesa, a relação ganha profundidade nas áreas da energia e da economia, embora permaneçam limitações, com a UE a continuar a operar com prioridades nacionais divergentes e sem uma estratégia unificada em áreas-chave.
Uma relação ideal para a defesa europeia
O âmbito da cooperação franco-grega ultrapassa o quadro bilateral e é um teste para a Europa.
A questão é saber se a autonomia estratégica europeia pode passar do estatuto de objectivo político para o estatuto de capacidade operacional real.
Para a Grécia e a França, a visita de Emmanuel Macron é uma oportunidade para demonstrar que a defesa europeia pode ser construída através de parcerias sólidas e vinculativas com um forte impacto operacional.






