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A ação dos torcedores japoneses para limpar o estádio após a partida da Copa do Mundo FIFA de 2026 está novamente no centro das atenções mundiais.
Carregando sacos de lixo e recolhendo o lixo deixado, a torcida do Samurai Blue recebeu muitos elogios por deixar o estádio limpo.
Porém, por trás da valorização, surgiu um debate nas redes sociais.
Alguns internautas questionam se esse hábito realmente nasce de uma cultura profunda ou faz parte de um esforço para construir uma imagem positiva do Japão aos olhos do mundo.
Uma tradição que existe há décadas
O puro ato dos fãs japoneses não é, na verdade, um fenômeno novo. A prática ganhou atenção internacional desde a participação do Japão na Copa do Mundo de 1998.
Os holofotes ficaram maiores na Copa do Mundo FIFA 2018, quando os torcedores japoneses esvaziaram as arquibancadas após a partida.
Não só os torcedores, os jogadores japoneses também saíram do vestiário em perfeitas condições e com agradecimentos aos donos da casa.
A mesma tradição foi vista novamente na Copa do Mundo FIFA de 2022 e continuou na edição de 2026, após as partidas do Japão contra Holanda e Tunísia.
Para muitos torcedores japoneses, esse comportamento é considerado normal como forma de respeito ao anfitrião e aos futuros usuários do estádio.
Enraizado em hábitos desde a infância
Muitos observadores atribuem esse comportamento ao sistema educacional japonês.
As crianças no Japão estão acostumadas a limpar salas de aula, corredores de escolas e o ambiente ao redor sem depender de zeladores.
A sociedade japonesa também compreendeu o conceito de gomi hiroi, que é o hábito de coletar lixo como forma de responsabilidade para com locais públicos.
Outro valor frequentemente associado à cultura japonesa é evitar comportamentos que desagradem aos outros.
Portanto, deixar os locais públicos limpos é considerado uma forma de respeito à comunidade do entorno.
Aparecem cobranças de imagem
Embora tenha recebido elogios, nem todas as partes encararam esta acção de forma positiva.
Alguns internautas japoneses acreditam que esse fenômeno está muitas vezes sob os holofotes das câmeras, dando a impressão de que essa atividade é feita para mostrar a boa imagem do Japão ao mundo.
Alguns críticos também afirmam que os hábitos de higiene deveriam ser mais visíveis na vida quotidiana, e não apenas em eventos internacionais assistidos por milhões de pessoas.
Esta ideia deu origem então a uma ampla discussão sobre se uma boa acção ainda é digna de apreciação se também criar uma imagem positiva para o perpetrador.
Associado aos conceitos de Honne e Tatemae
Este debate também envolveu conceitos culturais japoneses conhecidos como honne e tatemae.
Honne refere-se aos sentimentos ou opiniões pessoais das pessoas, enquanto tatemae é o comportamento exibido em locais públicos para manter a harmonia social.
Na cultura japonesa, o tatemae nem sempre é considerado pretensioso.
Muitas pessoas veem isso como uma forma de respeitar as normas sociais e o meio ambiente.
Por isso, algumas pessoas dizem que embora o ato de limpar o estádio seja feito por exigência das normas sociais, ainda tem um valor positivo porque proporciona benefícios reais para os outros.
Um debate inacabado
As ações dos torcedores japoneses na Copa do Mundo de 2026 não envolvem apenas a limpeza do estádio.
Estes fenómenos levam a discussões mais amplas sobre cultura, identidade nacional, normas sociais e como as nações constroem a sua reputação aos olhos do mundo.
Para algumas pessoas, este ato é uma prova de disciplina e responsabilidade social.
Enquanto para outros, a popularidade do ato levanta questões sobre a linha entre a cultura original e a imagem deliberadamente mantida.
Independentemente dos prós e contras que surjam, uma coisa difícil de negar é que as arquibancadas ocupadas pelos torcedores japoneses são quase sempre uma das áreas mais limpas após o término da partida.
(ou seja,/fic)