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Não é maior que um grão de sêmola e ainda assim… Em Toulouse, o cérebro da abelha nos informa sobre o desempenho do aprendizado e não o tamanho que importa.

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A inteligência depende do tamanho do cérebro? A resposta é não para os investigadores de Toulouse que estudam as abelhas e o seu comportamento altamente sofisticado. Assim, os indivíduos que aprendem melhor os odores têm os lobos olfativos mais desenvolvidos. O que importa não é o tamanho, mas a organização dos circuitos neurais.

Nas últimas duas décadas, a ciência provou consistentemente que o cérebro das abelhas permite um comportamento sofisticado. Porém, não ultrapassa o tamanho das sementes de semolina. Você precisa ter um cérebro grande para ser inteligente? Por trás dessa velha questão, cientistas do Centro de Pesquisa em Cognição Animal (CRCA/CBI), de Toulouse, estão interessados ​​nas diferentes morfologias cerebrais das abelhas para explicar as diferenças observadas nas habilidades cognitivas.

“Durante muito tempo, tentamos vincular o tamanho geral do cérebro à inteligência, mas não há uma resposta simples. A ideia de que um cérebro maior será sinônimo de inteligência superior é muito simples”, concluiu Mathieu Lihoreau, pesquisador do CNRS no CRCA.

Testes de aprendizagem olfativa de abelhas no laboratório CRCA em Toulouse.
CRCA/CBI – Colin Monchanin

2.000 abelhas congeladas por 20 anos

Tudo começou com uma mudança de laboratório há alguns anos. “Encontramos um freezer contendo quase 2.000 abelhas melíferas – abelhas domésticas que produzem mel – que foram preservadas por décadas. Todas elas foram testadas individualmente para experimentos de aprendizagem e memória durante vinte anos e em condições padronizadas e comparáveis.

Mathieu Lihoreau é pesquisador do CNRS no Animal Cognition Research Centre em Toulouse, onde estuda o comportamento das abelhas.
DDM 2024 – LAURENT DARD

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A equipe de Toulouse mediu então vários parâmetros nesta abelha: o tamanho do corpo, da cabeça, dos olhos, das antenas e principalmente da área do cérebro. “Destacamos uma correlação muito forte entre a capacidade das abelhas de aprender os odores e o tamanho do lobo olfativo, que é a área do cérebro que processa as informações das antenas. As abelhas que aprendem os melhores odores têm lobos olfativos mais desenvolvidos”, explicou Mathieu Lihoreau.

Todas as abelhas têm a capacidade de comer, mas aprendem de forma diferente

“Encontramos resultados mais complexos do que imaginávamos. Por exemplo, as abelhas com os maiores lobos olfativos têm uma pontuação de aprendizagem visual, desta vez, muito baixa. Isto é uma evidência de que não existe uma inteligência geral relacionada com o tamanho do cérebro como um todo. O importante é a organização das diferentes áreas cerebrais”, continuou o investigador. Os resultados deste trabalho foram publicados na revista científica PNAS.

Reconstrução 3D do cérebro da abelha (Apis mellifera). A cor falsa delimita áreas cerebrais funcionais bem definidas (amarelo: lobo visual, roxo: lobo olfativo, vermelho: corpo pedunculado, azul: complexo central).
CRCA/CBI – Colin Monchanin

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“O cérebro funciona como um mosaico de habilidades. Nas abelhas, essa diversidade é importante para o funcionamento da colônia porque nem todas as operárias têm a mesma função. Todas as abelhas têm potencial para comer. O que destacamos são as diferenças na forma como aprendem e processam informações. Não é por acaso que, na colônia, os indivíduos não agem todos da mesma forma.”

Os pesquisadores do CRCA replicaram o experimento em 500 abelhas e obtiveram resultados semelhantes. “Isso mostra que a relação entre a estrutura cerebral e as habilidades cognitivas pode ser comum a muitos animais e, em qualquer caso, a muitos insetos”, diz Mathieu Lihoreau, que atualmente trabalha nas habilidades visuais das abelhas.

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