As importações baratas e o mel adulterado estão colocando os apicultores alemães sob pressão. Ao mesmo tempo, os jovens vão descobrindo o seu interesse por vários trabalhos em torno da colmeia.
O som é ouvido primeiro. Milhares de abelhas entram e saem, carregando pólen nas pernas, e desaparecem na colmeia. Simon Opitz fica em silêncio ao lado dela, levantando cuidadosamente uma moldura da colmeia e espiando dentro da colmeia.
“Quando estou com as abelhas posso relaxar”, diz o apicultor de 17 anos de Euskirchen. Para ele, esse momento é o dia a dia – mas sempre especial. “Me fascina ver o que as abelhas podem realizar em uma comunidade. Se você olhar para elas em uma colmeia, parece que estão todas se movimentando. Mas cada uma tem uma missão.”
Seu interesse pela apicultura começou há seis anos. “Eu já estava muito interessado na natureza e nas abelhas”, diz Opitz. Seu avô já criava abelhas e seu padrinho também. Ele agora é um especialista em abelhas treinado na Associação de Apicultura de Euskirchen e, portanto, é a pessoa de contato para problemas de abelhas na região.
As flores determinam o sabor do mel
Para Opites, o mel é mais do que apenas uma pasta doce. Cada tipo tem seu próprio caráter. “A sensação na boca de cada mel é diferente”, explica ele. “Sabor, textura, cor e cheiro são diferentes.” Ele produz 50 quilos de mel por safra em uma colônia. Quaisquer que sejam as flores para as quais as abelhas voem, elas afetam o sabor todos os anos.
Mas é precisamente esta diversidade que o apicultor de Euskirchen considera agora ameaçada. Produtos importados baratos reduzem os preços no varejo, o que muitos apicultores não conseguem sustentar. “É triste que a qualidade desse produto natural esteja se perdendo no supermercado”, afirma. É especialmente lamentável que muitas pessoas não saibam qual é o sabor real dos diferentes méis. “A indústria está tentando criar um sabor uniforme.”
Xarope de açúcar com mel?
Além disso, investigações realizadas por defensores dos consumidores e laboratórios mostraram que alguns produtos importados contêm não apenas mel, mas também xarope de açúcar. “A adição de xaropes é um campo lucrativo para a fraude alimentar”, diz Michael Bartel, da Associação Alemã de Apicultores Profissionais e Comerciais. “A diluição sofisticada é comum com xaropes de açúcar baratos, que evitam testes de rotina”.
O mel falso da China acaba na UE e na Alemanha, o que preocupa os apicultores deste país. Misturas de xarope baratas podem ser oferecidas a preços de dumping nos supermercados. “Muitos apicultores profissionais europeus já estão em risco de extinção devido a esta distorção da concorrência”, diz Bartel.
Porque o mel da apicultura artesanal custa mais do que os produtos industriais produzidos em massa. Qualquer pessoa que trabalhe como apicultor profissional na Alemanha – salários justos, regulamentos rigorosos de higiene e mel verdadeiro – não pode competir com estes preços. “Quem compra mel por três ou quatro euros por 500 gramas deve desconfiar”, aconselha Bartel. Ela recomenda comprar coisas na feira semanal ou de marcas de qualidade.
Manutenção de colônias, controle de doenças
Mas a apicultura não significa apenas colher mel. As colónias devem ser mantidas, as doenças devem ser controladas e as abelhas devem ser protegidas, explica Opitz, apicultor de Euskirchen.
“Trabalhar com abelhas me enche. Há algo de incrivelmente tranquilo nessa agitação”, diz o jovem apicultor. Responsabilidade com os animais, proximidade com a natureza e a experiência de fazer parte de um ecossistema delicado – a apicultura é para ele mais do que um hobby. “As abelhas são tudo para mim.”



