O jornalista britânico Jacob Whitehead tem duas paixões: ornitologia e futebol. Para a Copa do Mundo dos Estados Unidos, México e Canadá ele não quer escolher. É o que ele diz em artigo publicado pela Atlético que estava nas profundezas da Cornualha observando uma magnífica toutinegra pitchou – um pardal –, apenas três dias antes de assistir a uma emocionante partida entre Coreia do Sul e República Tcheca no Estádio de Guadalajara.
“É claro que nem sempre é fácil encontrar certos pássaros ou certos jogadores de futebol. E para ambos, geralmente é preciso passar muito tempo sentado, observando e esperando.” escreve no site de esportes de New York Times.
“E se o mundo dos pássaros e o do futebol não forem tão distintos quanto você imagina? É isso que esta Copa do Mundo parece demonstrar.”
É portanto com sincero entusiasmo que Jacob Whitehead estudou a teoria partilhada pelo fotógrafo australiano Nick Volpe, numa publicação nas redes sociais na noite de 14 para 15 de junho. Este último referiu que, com uma excepção, cada um dos sete jogos disputados até ao momento na competição terminou com uma vitória do país que acolhe as mais diversas espécies de aves. “Os jogadores dos Estados Unidos e da USMNT (seleção nacional dos EUA) não apenas venceram o Paraguai por 4 a 1, mas também os venceram com 1.167 espécies de aves contra 712”, ri o jornalista. A mesma coisa para a Escócia contra o Haiti, a Austrália contra a Turquia ou mesmo a Alemanha contra Curaçao.
Deveríamos considerar isto uma simples coincidência ou a manifestação de verdades antropológicas e biológicas mais profundas? Whitehead apresenta várias hipóteses: países maiores, com diferentes climas e diferentes tipos de habitat, desfrutam de uma biodiversidade mais rica – portanto, de mais aves – e de maiores oportunidades económicas. O suficiente para financiar infraestrutura esportiva e formação de atletas. Eles também podem acomodar uma população maior e um conjunto de talentos mais fértil. A mãe do autor, também ornitóloga amadora, sugere que os padrões de migração das aves seguem os climas mais favoráveis ao futebol.
É difícil, porém, acreditar que as aves sejam a chave para prever com certeza os resultados da competição. O nexo causal permanece “questionável”, Whitehead admite, quase com relutância. A ideia de uma Copa do Mundo que unisse as pessoas e tornasse menos concretas as fronteiras internacionais – como aconteceu com os pássaros – tinha tudo para seduzi-lo.



